Samuel Edward Konkin III, o criador do sistema político e económico conhecido como “Agorismo”, nasceu em Saskatchewan no Canadá, em 8 de julho de 1947.

Anos antes de tropeçar no libertarianismo e conceber o agorismo como uma declaração das suas ideias revolucionárias, Konkin já revelava o seu ativismo em organizações políticas estudantis, liderando a Liga de Crédito Social para Jovens da Universidade de Alberta.

Após as suas interações com figuras proeminentes do pensamento libertário (como Murray Rothbard) Konkin refinou as suas ideias. Mais tarde, ele compilou e expôs essas ideias num conceito nomeado “Novo Libertarianismo”, fundamentada através da aplicação dos princípios da ágora e do mercado aberto.

O libertarianismo político, pelo menos para Konkin, era uma contradição em termos, pois os libertários se opunham à política em princípio. Em vez disso, o agorismo enfatiza a preponderância de construir a “contra‐economia”. Ou seja, instituições económicas libertárias e empresas existentes fora das restrições legais da estrutura dominante caracterizada pela intervenção e coerção do estado.

Os agoristas consideram a contra‐economia uma forma de ação direta não violenta, uma forma de simultaneamente desafiar e escapar do poder do estado, no processo de construção de uma sociedade livre baseada nos princípios da troca voluntária irrestrita.

Samuel Edward Konkin III foi o autor do New Libertarian Manifesto e um defensor da filosofia política que ele chamou de agorismo.

A contra-economia ressalta o fato de que, dado o volume de regras, regulamentos e licenças que estrangulam as relações económicas, quase todos os indivíduos já participaram da contra-economia de uma forma ou de outra, talvez até involuntariamente.

Por simplesmente não dar atenção às regras arbitrárias que tentam proibir o comércio totalmente voluntário e mutuamente benéfico, os agoristas estão empenhados numa tentativa de mudar a sociedade sem recorrer à ação política. Caminho este que o agorismo considera como capitulação à estrutura de poder existente.

Os agoristas acreditam que ao se tornarem politicamente envolvidos, os libertários caem na armadilha da política. Essa armadilha seria a ilusão de que, se apenas elegermos a pessoa certa ou aprovarmos a lei certa, podemos alcançar a liberdade.

Para os agoristas, os processos e instituições da política são inerentes e imutavelmente corruptos e coercivos. Konkin, portanto, sustentou que era impossível alcançar “fins libertários por meios estatistas, especialmente por partidos políticos”.

Como estratégia para alcançar mudanças políticas e económicas, o agorismo evita a política prática, até mesmo votar. Assim, revela-se preferível o estabelecimento e o incentivo de novas instituições libertárias a meios abertamente políticos, como campanhas e legislação.

Esta ideia de que os libertários deveriam usar os partidos políticos e o processo político para promover os objetivos libertários Konkin rotulou de “partido da democracia”.

Na sua condenação do liberalismo de governo limitado (em oposição ao anarquismo que ele e, por exemplo, Murray Rothbard abraçaram), Konkin III cunhou outro termo agora bem conhecido e frequentemente usado: “minarquismo”.

Argumentando que a política e o partidarismo haviam fracassado comprovadamente, provando-se como obstáculos ao projeto libertário ou pior, Konkin propôs o seu agorismo como alternativa. Para ele, o agorismo seria uma rota para uma sociedade livre por meio da aplicação imediata e sem hesitação dos princípios libertários.

Se os políticos e órgãos governamentais são inimigos da liberdade, argumentou Konkin, então os libertários deveriam evitar deliberadamente a luta para adquirir um cargo público ou poder político.

Essa postura agorista colocou Konkin em desacordo com o grande segmento do movimento libertário. Especialmente, contra aqueles que viam a necessidade de participação política para a criação e promoção de um partido especificamente libertário.

Murray Newton Rothbard foi um economista heterodoxo norte-americano da Escola Austríaca, historiador, e filósofo político que ajudou a definir o conceito moderno de libertarianismo.

A noção de Konkin de que meios e fins libertários são conceptualmente inseparáveis e que o único caminho para a liberdade é por meio de sua prática aqui e agora, compartilha certas semelhanças com as ideias anarquistas de Pierre-Joseph Proudhon.

Embora tenha sido membro da assembleia francesa por um tempo, Proudhon desconsiderou o papel da política prática na libertação das classes subjugadas do estado e da opressão económica que ele criou.

Convencido de que o estado não poderia ser derrotado “no seu próprio terreno”. Isto é, por meio de “qualquer tipo de atividade que pudesse ser considerada política”. Mas que deveria ser substituído gradualmente “apenas por meio da ação económica e social”.

Conscientemente ou não, Konkin III herdou a ideia de Proudhon de que a ação económica orgânica e horizontal, dirigida por criadores e produtores a partir do zero, era a única maneira de realmente comprometer o estado.

Lenta e continuamente, a contra‐economia resultaria numa substituição da infraestrutura. Esta, por sua vez, resultaria na substituição do estado cada vez mais atrófico por redes de indivíduos que cooperam e negociam voluntariamente.

Apesar da escassez de literatura relacionado com as ideias de Konkin III, o agorismo e a contra-economia têm um certo apelo na comunidade do cripto-anarquismo.

A internet parece quase feita à medida para os tipos de contra-instituições anti-estado defendidas pelo agorismo. Convém ressalvar que o Dread Pirate Roberts, o lendário fundador e proprietário do mercado online Silk Road, afirmou que o agorismo havia sido uma influência fundamental. Em 2012, ele escreveu:

“Cada transação que ocorre fora do controlo do estado é uma vitória para os indivíduos que participam da transação. Portanto, há milhares de vitórias aqui a cada semana e cada uma faz a diferença, fortalece a ágora e enfraquece o estado.”

O fervor individualista e anti-autoritário do agorismo encontra um lar natural na cultura hacker; e no que Konkin chamou de “o paraíso anarquista de livre mercado conhecido como internet”.

Ross William Ulbricht conhecido online pelo pseudónimo de Dread Pirate Roberts, foi o criador e administrador do site Silk Road.

Publicado pela primeira vez em 1980, o Novo Manifesto Libertário de Konkin continua a ser a obra definitiva do agorismo, gerando debates entre os primeiros líderes do movimento moderno.

Murray Rothbard  publicou prontamente uma resposta ao Manifesto. Nesta ele argumentou que Konkin falhou na tentativa de ilustrar a adequação da contra-economia como uma forma de confrontar “as características desagradáveis ​​do mundo real”.

A ação política, afirmou Rothbard, era necessária na luta “macro” pela liberdade e contra o estado, “a revogação de leis injustas e restritivas. Rothbard elogiou certos partidos políticos dos séculos XVIII e XIX como “forças admiráveis ​​do laissez-faire”.

A existência do estado, argumentou ele, realizava muito mais pela causa da liberdade humana do que as atividades do mercado negro de Konkin. Rothbard achava que a visão de Konkin sobre o crescimento da contra-economia deste mercado e sobre sobrepujar o estado e seus beneficiários económicos era simplesmente irreal e ingênua.

Afinal, os mercados negros e cinzentos sempre existiram e até então não cresceram a ponto de substituir os edifícios coercivos do estado. No entanto, dado que a participação política especificamente libertária parece ter desapontado pelo menos tanto quanto a contra-economia, a crítica de Rothbard ao programa agorista afigura-se errónea.

Na verdade, quer os libertários escolham a política, a contra-economia ou alguma combinação de ambas como estratégia, o sucesso parece depender da comunicação e da educação eficazes na filosofia libertária.

Rothbard estava, é claro, certo ao dizer que a maioria — na verdade quase todas — as atividades do mercado negro devem ser filosoficamente neutras; motivadas por interesses financeiros e uma série de outros fatores capazes de impelir alguém a atividades consideradas criminosas.

E Konkin provavelmente estava igualmente justificado sobre a sua inquietação sobre a entrada dos libertários no campo da política.

Uma figura polêmica e excêntrica no movimento libertário, Konkin deixou um legado de ideias desafiadoras e radicais. Essas ideias, por causa da crescente importância da internet e da ascensão inevitável da tecnocracia totalitária que se verifica, são talvez mais relevantes do que nunca.

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